O Brasil vacina muito ou os Países Baixos vacinam pouco? Analisando os calendários de vacinação

imagem de bebe sendo vacinado e texto perguntando O Brasil vacina muito ou os Países Baixos vacinam pouco?

 

Quando eu era pequena, ir se vacinar era um evento. Eu lembro de chorar, mesmo quando era a gotinha, mas lembro muito do Zé Gotinha. Na minha cabeça de memória infantil, eu me vacinei para caramba. E até hoje quando uma amiga tem um bebê quando vai fazer a relação de vacinas, me parece infinita.

 Então, imaginem o susto quando eu soube que meu bebê só ia tomar 4 vacinas até os 6 meses. Aí fiquei com isso na cabeça. 

Será que o Brasil exagera nas vacinas ou os holandeses deixam passar alguma coisa?

 Aí fui atrás de um paralelo entre os dois países e entendi que depende muito de como a saúde é pensada em cada lugar.

 No Brasil, a vacinação infantil é intensa e quase como um “maratona de imunização”. Logo nas primeiras semanas de vida, o bebê já toma vacinas contra hepatite B e BCG, depois vêm várias doses de pentavalente, pneumococo, rotavírus, poliomielite, meningococo, e por aí vai. Até os 9 anos, a criança já recebeu uma verdadeira coleção de vacinas — quase como carimbar um passaporte de proteção. Um total de 14 (sem contar 2 ou 3 dose). Para os pais, isso significa muitas idas ao posto de saúde, mas também muita segurança: “melhor prevenir do que remediar” é o lema.

 Nos Países Baixos, a abordagem é mais calma e gradual. O calendário holandês foca em vacinas essenciais e segue um ritmo menos apertado. Bebês recebem doses contra difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Hib, pneumococo, rotavírus e hepatite B, mas algumas vacinas só aparecem mais tarde, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a varicela. Apenas 8 vacinas até os 10 anos. É como se os pediatras daqui dissessem: “Vamos proteger o bebê do que é realmente crítico agora, sem sobrecarregar o corpinho dele.

 Essa diferença gera curiosidade (e até ansiedade, pelo menos para mim!) para quem se muda de um país para outro. É comum ouvir pais brasileiros na Holanda preocupados: “Será que meu bebê não está desprotegido?” — e pais holandeses visitando o Brasil pensando: “Uau, quantas vacinas em tão pouco tempo!”

 A realidade é que nenhum dos dois sistemas é melhor ou pior. Eles apenas refletem estratégias diferentes: enquanto o Brasil prioriza toda forma de prevenção de doença, logo, a imunização ampla e precoce, a Holanda aposta em um esquema gradual e baseado em risco epidemiológico. Ambos conseguem manter as crianças protegidas, mas o jeito de chegar lá muda.

 Dica de mãe: se você está mudando de país, leve o caderninho de vacinação e converse com o pediatra local. Muitas vezes, alguns reforços ou ajustes são necessários, mas nada de pânico: a proteção continua, só de forma adaptada ao lugar.

 No fim das contas, seja no Brasil ou nos Países Baixos, o importante é manter a vacinação em dia e garantir que nossos pequenos cresçam saudáveis, curiosos e livres para explorar o mundo — sem surpresas indesejadas de saúde pelo caminho. Além disso, caso você vá viajar para o Brasil, você pode consultar o GGD da sua região e, caso opte, dar as vacinas que são aplicadas no Brasil aqui mesmo, só serão pagas por você, já que não fazem parte do calendário da Holanda.


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